O Serviço Social é política pública, e o Assistente Social seu efetivador!

É uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da “questão social”, isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho .Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assistência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais.



O Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.Está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar, e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.



quarta-feira, 8 de julho de 2009

Prostituição - Tema que necessita de reflexão...

Josiane Gomes


Recentemente relatei neste blog, nossa participação no Encontro Temático: “Prostituição infanto-juvenil: a construção de um lugar na vida”, realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social de Ribeirão Preto.
Agora desejo abordar uma das pautas da palestra da Professora Ana Maria Ricci Molina, Mestre em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP de Ribeirão Preto: a PROSTITUIÇÃO - tema que necessita de maior reflexão acerca de sua origem e dinâmica.
Para aprender, compreender e discutir este fenômeno é necessário despir-se de todo e qualquer preconceito (regra fundamental para o exercício da profissão - Assistente Social).
Em busca de uma melhor conceituação a este fenômeno social, que acontece em diferentes instituições/sociedades, e em vários tempos históricos, encontrei a seguinte: a prostituição pode ser definida como a troca consciente de favores sexuais por interesses não sentimentais, afetivos ou prazer. Apesar de comumente a prostituição consistir numa relação de troca entre sexo e dinheiro, esta não é uma regra. Pode-se trocar relações sexuais por favorecimento profissional, por bens materiais (incluindo-se o dinheiro), por informação, etc.[1]
Na Antiguidade, as prostitutas eram conhecidas como “Mulheres Livres” ou “Sacerdotisas”, pois eram responsáveis pela comunicação dos homens com os deuses, através de cultos (orgias sexuais), em busca de fertilidade (entende-se aqui por qualidade fértil, abundância em colheitas).
A medida em que a sociedade foi se tornando mais complexa, novos dispositivos foram criados e acionados a fim de controlar tal fato. Exemplo: a Religião.
Logo na Idade Média, a Igreja começou a persegui-las, contestando que as mesmas profanavam o corpo, sendo que o corpo é o templo e Deus.A sexualidade era aceita apenas como meio procriação e perpetuação da espécie e não como forma de prazer.
Nesta época a Igreja exercia um grande poder de controle sobre seus adeptos, orientando a sociedade a não praticar sexo somente por prazer, não praticar auto-erotismo (masturbação), não fazer sexo antes do casamento, entre outras condutas que envolviam a sexualidade. Partindo deste pressuposto, a família passa a se considerada um bem que não pode ser violado pela a Igreja e pela sociedade. Tais condutas que exerciam o controle da sexualidade eram bem aceitas pela população, pois acreditavam que essas condutas levariam a destruição da família, e assim a seguiam.
Desta forma, as mulheres começaram a se prostituírem, principalmente as mais pobres para adquirirem dotes, uma vez que a Igreja colocou a família em posição destaque e todas as mulheres desejavam o matrimônio.
Na Idade Moderna a relação entre sexo e pecado ainda existe. Apesar de todo conceito moral que temos, a sexualidade é objeto de controle e poder sobre a mulher e a prostituição se mantém como um fenômeno social.
No Brasil a prostituição é uma constante desde o período colonial. Há autores que afirmam que as prostitutas do Brasil Colônia contribuíram para a geração e valorização das mulheres puras e distantes da sexualidade transgressora. Neste período, mulheres que exerciam a prostituição eram vistas como pacificadoras da violência sexual, defensoras do casamento moderno, mas carregavam a estigma de Meretrizes/Rameiras.
O fundo de cena deste período: a pobreza - o que fazia da prostituição um meio de sobrevivência. Porém precisamos ressaltar que a prostituição atual nasceu do conflito de duas percepções diferentes: a “meretriz de bordel” (casas de luxuosas, com evidente permissão para contravir) e as prostitutas da Colônia, que ingressavam na atividade por sobrevivência.
A Prostituição é constante em nosso país, principalmente a infanto0juvenil, porém nossa sociedade persiste em calar-se sobre tal fato. Constatamos no período colonial o domínio e abuso do homem sobre a mulher. Filhas dos senhores casavam-se com doze anos, virgens e geralmente com homens de quarenta, cinqüenta anos de idade. Nas senzalas, muitos senhores deitavam-se com as negras virgens de dez, onze, doze anos. Crianças forçadas a satisfazerem os desejos de adultos. Sem contar que várias destas crianças violentadas eram filhas legítimas de seus senhores - enfatizo aqui o incesto (união sexual ilícita entre parentes consangüíneos), a submissão faz com que qualquer pessoa seja explorada, usada como objeto para satisfazer desejos pessoais. Este foi o Brasil colônia!
Hoje com o advento do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), criado em 1990 temos um olhar mais atento para esta atividade, pois existem “políticas públicas” (nem todas em exercício) em defesa dos direitos da criança e do adolescente, ações articuladas governamentais da união.O abuso sexual de crianças é também um fenômeno social disfarçado pela síndrome do silêncio e da invisibilidade da qual padece nossa sociedade, fazendo com que continuemos a manter crianças nas ruas se prostituindo. Com base na compreensão do Estatuto, este fenômeno torna-se objeto de estudo.
Continuarei abordando este assunto em outra postagem, “Construindo um lugar na vida através da Prostituição (Crianças e Adolescentes).
Desde de já, deixo claro que neste ambiente virtual, devemos lutar para nos despir de todo e qualquer preconceito, porém, sempre lutando para dignificar a existência humana!
Sorrisos 1.000 pra vcs...

[1] http://pt.wikipedia.org/wiki/Prostitui%C3%A7%C3%A3o
http://apontejotape.blogspot.com/2008/01/histria-da-prostituio.html

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