O Serviço Social é política pública, e o Assistente Social seu efetivador!

É uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da “questão social”, isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho .Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assistência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais.



O Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.Está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar, e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

PROJETO DE LEI 683, DE 2009

Olá,
O post de hoje tem como foco a divulgação do PROJETO DE LEI No 683, DE 2009 de autoria do Deputado Estadual Carlos Gianazzi (PSOL) que prevê a obrigatoriedade da distribuição gratuita de protetor solar para as pessoas com albinismo resisdentes no estado, bem como ajudar na aquisição de óculos para aqueles que não tem condições.
O projeto é em partes, resultado dos esforços de Roberto Bíscaro (Dr. Albee) , Professor de Inglês/Literatura com doutorado em Dramaturgia norte-americana pela USP, que assim como nós luta para dignificar e melhorar as condições de vida da população. Roberto Bíscaro, em fevereiro deste ano criou o Blog Albino Incoerente, com o objetivo de tirar as pessoas com albinismo do fenômeno conhecido por Invisibilidade Social.
Todo cidadão pode e deve lutar pela efetivação de políticas públicas. Entre nesta luta você também!
Abaixo, o texto do PROJETO DE LEI 683
PROJETO DE LEI Nº 683, DE 2009
Determina a obrigatoriedade de distribuição gratuita de protetor solar pela rede estadual de saúde para as pessoas portadoras de albinismo residentes no estado de São Paulo e de outras providências.
A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO DECRETA:
Artigo 1º - Fica a Secretaria Estadual de Saúde obrigada, através de seus postos de saúde, a distribuir mensalmente protetor e bloqueador solar, compatíveis com a necessidade especificada por profissional da área médica, para as pessoas portadoras de albinismo residentes no estado de São Paulo.
Artigo 2º- Os postos de saúde estaduais deverão dar atendimento oftalmológico aos portadores de albinismo (hipopigmentaçãocongênita).
Artigo 3º - O gozo desses direitos serão garantidos mediante o cadastramento feito nos postos de saúde.
Artigo 4º - As verbas para sustentação dessa lei correrão por conta de dotações próprias, suplementadas se necessário.
Artigo 5º - Essa lei entra em vigor na data da sua publicação.
JUSTIFICATIVA
Albinismo é uma hipopigmentação congênita: ausência parcial ou total do pigmento na pele, nos cabelos e nos olhos.
Existem vários tipos de albinismo, entretanto a forma mais perigosa é a que determina a total ausência de pigmentação por todo o corpo, denominado albinismo óculo-cutâneo. Esta patologia, que decorre de um bloqueio incurável da síntese de melanina, ao afetar os olhos, sob a forma de nistagmo, redução da acuidade visual, estrabismo, fotofobia, perda da percepção de profundidade, causa deficiência visual de moderada a séria.
Ao afetar a pele, provoca grande susceptibilidade ao câncerde pele. O cotidiano do albino, portanto, é marcado pela intolerância à luz solar, ameaçado constantemente, pelos riscos da cegueira e do câncer de pele. Por ser considerada uma pessoa portadora de necessidades especiais, o albino precisa de apoio para que seja assegurado o exercício dos seus direitos básicos.
Nesse sentido, o Estado de São Paulo precisa estabelecer políticas públicas de atenção aos portadores de albinismo, contemplando as diversas fases da vida, desde o nascimento até a fase adulta, com ênfase para o atendimento nas áreas de dermatologia e oftalmologia. “É preciso dar visibilidade à luta das pessoas com albinismo, mobilizar estas pessoas e, principalmente, sensibilizar o poder público para os problemas enfrentados pelos albinos”, é preciso investir no levantamento e cadastramento dessas pessoas portadoras de necessidades especiais e a distribuição de protetores solar é um começo desse processo de resgate à essas pessoas à cidadania.
Esse projeto de lei, que ora apresentamos aos nobres colegas para conhecimento e apoio, segue determinação da Constituição Estadual de São Paulo que diz no seu artigo 219:
A saúde é direito de todos e dever do Estado” e nos incisos seguintes:
I - “a assistência integral à saúde, respeitadas asnecessidades específicas de todos os segmentos da população;
II - a identificação e o controle dos fatores determinantese condicionantes da saúde individual e coletiva, mediante,especialmente, ações referentes à saúde dos portadores dedeficiências”.
Sala das Sessões, em 19/8/2009
a) Carlos Giannazi - PSOLO
Projeto também pode ser acessado através do linkftp://ftp.saude.sp.gov.br/ftpsessp/bibliote/informe_eletronico/2009/iels.ago.09/iels156/E_PL-683_2009.pdf

Sorrisos 1.000 pra vocês...
Josiane Gomes.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Os Miseráveis - Conceito de Política

Conceito de Política – “Os Miseráveis”, de Victor Hugo.
Josiane Gomes


Iniciando este post, citarei alguns tópicos e conceitos, bem como um fragmento do texto de Victor Hugo, "Os Miseráveis" , afim de melhor fundamentar minha reflexão sobre política:
..."Não é somente para saciar seus instintos que o homem vive em sociedade, mas principalmente, para satisfazer suas necessidades...”
..."Sintetiza Gama
(2005, p. 44): A sociedade consiste num grupo de pessoas reunidas de forma definitiva em comunhão até nos objetivos, regradas as suas condutas por normas positivadas e a direção exercida pela liderança...”
..."O Estado constitui uma forma de sociedade. Mas deve-se ressaltar que a sociedade vem em primeiro; o Estado, depois. Como diz Azambuja (2007, p. 18), ”o homem está no centro da sociedade: a sociedade está dentro do homem”...
..."O Estado não existe para servir aos governantes, mas aos governados, proporcionando-lhes uma vida melhor, cuja essência deve estar no fato de que o homem só vive em uma sociedade política para facilitar a sua vida e ser atendido em seus interesses. Dessa forma, cada Estado tem um objetivo diferente, pois deve estar apto para atender aos reclamos dos governados, visando sempre o bem estar coletivo. (Gama, 2005)”. (Material didático; Módulo 3.2, p. 98 e 100, Editora COC).

Vitor Hugo, Politicamente falando, não há mais do que um princípio - a soberania do homem sobre si mesmo. Essa soberania de mim e sobre mim chama-se Liberdade. Onde duas ou mais destas soberanias se associam principia o Estado... Nesta associação, não se dá abdicação de qualidade nenhuma. Cada soberania concede certa quantidade de si mesma para formar o direito comum... Esta concessão que cada um faz a todos chama-se Fraternidade. O ponto de intersecção de todas estas soberanias que se agregam chama-se Sociedade...a liberdade é o cume, a igualdade é a base.”

Com base nestas citações, atrevo-me dizer que política é todo pensamento, teoria e ação com fundo normativo, visando organizar a vida de determinados grupos (indivíduos-sociedade) e o bem estar coletivo.

Em sua obra, Victor Hugo critica as misérias sociais, não adota o discurso socialista da luta de classes, acreditando no direito do homem usufruir os frutos do seu trabalho, embora reforçase a responsabilidade que acompanha o enriquecimento pessoal.

Os Miseráveis narra a história de Jean Valjean, um sujeito que foge da prisão e reconstrói sua vida através do trabalho. Valjean monta uma empresa e, através dela, traz prosperidade para a sua região; além disso, usa sua fortuna em obras de caridade para ajudar os pobres. Suas boas obras são interrompedias apenas quando um policial - um agente do Estado - decide interferir arbitrariamente nas atividades privadas da sociedade civil.

Traz claramente a filosofia política de Victor Hugo - um mundo onde há cooperação - e não luta - entre as classes; onde o empreendedor desempenha uma função essencialmente benéfica para todos; onde o trabalho é a via principal de aprimoramente pessoal e social; onde a intervenção estatal por motivos moralista - seja do policial ou do revolucionário obcecado pela justiça terrena - é um dos principais riscos para o bem de todos que será gerado espontaneamente pelos indivíduos privados.

Acreditando que uma sociedade aberta encontraria soluções para seus problemas, Victor Hugo opunha-se a políticas de redistribuição de riquezas, pois o efeito dessas seria desincentivar a produção, fazendo com que toda a sociedade caminhasse para trás. Caso fosse permitida a liberdade de comércio, por outro lado, e caso se tolerasse algum grau de desigualdade social, o resultado seria o progresso geral de todos, beneficiando inclusive os membros mais pobres da sociedade, pois a defesa de uma ordem que permite o progresso é benéfica para todos.

Fazendo um paralelo do contexto social por ele apresentado, não veremos grandes mudanças em nossa sociedade, ainda que nela haja cérebros pensando a necessidade de estabelecer vínculos mais estreitos com o povo, é preciso reconhecer que a grande maioria esta blindada a qualquer mudança.

Creio que Victor Hugo em sua obra fez o mesmo brado que hoje ouvimos ecoar em nossa segregada sociedade: a emancipação do povo! Povo este, que privados de afeição e generosidade foram lançados para o “nada social”, sendo a distinção social regulada idealmente pelo mérito da riqueza e da educação.

A grande novidade está no fato de a pobreza deixar de ser encarada como algo natural – no sentido de ser algo que faz parte da constituição do mundo por Deus –, passando a ser vista como algo circunstancial e, logo, passível de reforma ou correção em seus efeitos mais negativos para a dignidade humana.

Podemos sentir a presença da vida de Jean Valjean a todo o momento, em todos os cantos do nosso país. A vida miserável leva-o ao crime, mas observamos de forma clara as circunstâncias que o levaram ao crime e, portanto, mais do que uma questão de gosto ou preferência pessoal por uma vida irregular, tratava-se de uma situação social que deveria ser encarada francamente pela sociedade em geral e pelas autoridades políticas em particular.Muda-se o cenário, as datas, porém as necessidades são as mesmas.

O que precisamos mesmo é de um Segundo Novo Estado, em que seja cultivada a sensibilidade de que todas as pessoas devem ser tratadas como parte de uma mesma dignidade, surgindo assim um ideal de sociedade.








sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Eu também CANSEI!

Silêncio por favor!

Josiane Gomes



Esta semana recebi um e-mail que trazia slides sobre um Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, organizado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo, convocando a todos nós, cidadãos brasileiros, para no dia 17 de agosto, segunda-feira próxima, protestarmos através do rito “um minuto de silêncio”, nossa indignação em relação aos problemas sociais que acumulamos.
Os slides apresentam diferentes pessoas nos representando como cidadãos, expressando suas indignações através de frases em cartazes.
O conteúdo:
CANSEI...
- DE GENTE QUE SÓ QUER LEVAR VANTAGEM;
- DO GOVERNO PARALELO DOS TRAFICANTES;
- DE PAGAR TANTOS IMPOSTOS;
- DE IMPUNIDADE;
- DE TANTA BUROCRACIA;
- DO CAOS AÉREO;
- DE CPI QUE NÃO DÁ EM NADA;
- DE CRIANÇAS NA RUA E NÃO NAS ESCOLAS;
- DE PRESIDIÁRIOS FALANDO NO CELULAR;
- DE VER O TRAFICANTE FECHANDO O COMÉRCIO;
- DE EMPRESÁRIOS CORRUPTORES;
- DE TER MEDO DE PARAR NO SINAL;
- DE BALA PERDIDA;
- DE TANTA CORRUPÇÃO;
- DE ACHAR QUE TUDO ISSO É NORMAL;
- DE NÃO FAZER NADA.

Se você já cansou de tudo isso
Mostre sua indignação pelo Brasil
Faça 1 minuto de silêncio
Dia 17 de agosto às 13h00

Ordem dos Advogados do Brasil – Secção de São Paulo
http://www.cansei.com.br/

Faça o que for necessário para não cair em ruína o seu trono, mesmo que seja censurado”, advertia Maquiavel.
Aqui permeia-se a ética onde o fim justifica os meios. Aos governantes tudo será permitido e concedido. Aos cidadãos... UM MINUTO DE SILÊNCIO!
Tudo isso porque estamos “desgovernados”, perdendo a rédeas do Estado, da moral, tornando-nos cúmplices e negligentes com a falta de Ética em nossa nação.
No dia 17 de agosto, completará 1 mês do último acidente aéreo com a empresa TAM. Após a tragédia promovemos uma comoção nacional, e graças a nossa curta memória (na verdade quero dizer falta de responsabilidade e comprometimento com nossos direitos e deveres), em 30 dias esqueceremos tudo!
Então, faço aqui meu desabafo:
Eu também cansei das pessoas reclamarem de tudo e ainda pedirem 1 minuto de silêncio como se isso fosse mudar alguma coisa. Silêncio por silêncio já o fazemos há séculos...
Para mudar algo é preciso atitude, e atitude é ação efetiva.
Como cidadã, sinto-me envergonhada por ver a Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (muitas Secções não aderiram ao movimento) engajando-se em MOVIMENTOS como este, porque disso já estamos cansados também!
Aos que aderirem ao movimento: Aproveitem o silêncio para refletir sua conduta como cidadão!

***Ahhh o site do Movimento Cansei, esta fora do ar e o vídeo disponível no YouTube foi retirado.


Para acrescentar...
Origem do rito: “um minuto de silêncio”
Tal rito é observado como um gesto de luto por uma pessoa ilustre. São várias as versões divulgadas, em geral duas recebem destaque:
>>>Em 1912, quando Senadores lusitanos receberam a notícia da morte do Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores do Brasil, pessoa querida em Portugal, em 10 de fevereiro do mesmo ano, resolvem manterem-se em silêncio por dez minutos;
>>>Com duração de cinco minutos, proposto em um artigo na edição de 8 de maio de 1919 do jornal London Evening News pelo jornalista australiano Edward George Honey, com o objetivo de celebrar o Dia da Memória Nacional, em honra ao tratado que encerrou a Primeira Guerra Mundial. O rei George V, do Reino Unido, simpatizou-se com a idéia e, em novembro daquele ano, decretou dois minutos de silêncio em homenagem aos soldados britânicos mortos em combate.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cuidado com os burros motivados!

Há vários dias recebi um e-mail que trouxe a entrevista de Roberto Shinyashiki, por Camilo Vannuchi da revista IstoÉ (abaixo).
Apesar da publicação ser datada em outubro de 2005, não percebi mudanças no cenário apresentado pelo Dr. Roberto, ao contrário sinto que cada vez mais nos aprofundamos em esconder nossas deficiências humanas.
Em grifo, frases que merecem ao menos, o mínimo de reflexão.
Vale a pena ler a entrevista completa!
Sorrisos 1.000 pra vcs...
Josiane Gomes

19/10/2005.
Camilo Vannuchi

• Roberto Shinyashiki é psiquiatra e psicoterapeuta
• Já vendeu 6,5 milhões de exemplares de livros como Amar pode dar certo e O sucesso é ser feliz
• Presidente da Editora Gente, Doutor em Administração de Empresas pela USP.
• Católico praticante freqüenta templos budistas e admira mestres da Índia como Osho, Sai Baba e Ramesh
• Apaixonado por guitarra, apresenta-se uma vez por mês com o grupo Dinossauros Rock Band em um bar paulistano

"Cuidado com os burros motivados"
Em Heróis de verdade, o escritor combate a supervalorização da aparência e diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

Observador contumaz das manias humanas, Roberto Shinyashiki está cansado dos jogos de aparência que tomaram conta das corporações e das famílias. Nas entrevistas de emprego, por exemplo, os candidatos repetem o que imaginam que deve ser dito. Num teatro constante, são todos felizes, motivados, corretos, embora muitas vezes pequem na competência. Dizem-se perfeccionistas: ninguém comete falhas, ninguém erra. Como Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa) em Poema em linha reta, o psiquiatra não compartilha da síndrome de super-heróis. “Nunca conheci quem tivesse levado porrada na vida (...) Toda a gente que eu conheço e que fala comigo nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho, nunca foi senão príncipe”, dizem os versos que o inspiraram a escrever Heróis de verdade (Editora Gente, 168 págs., R$ 25). Farto de semideuses, Roberto Shinyashiki faz soar seu alerta por uma mudança de atitude. “O mundo precisa de pessoas mais simples e verdadeiras.”

ISTOÉ – Quem são os heróis de verdade?
Roberto Shinyashiki – Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu à pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa. Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ – O Senhor citaria exemplos?
Shinyashiki – Dona Zilda Arns, que não vai a determinados programas de tevê nem aparece de Cartier, mas está salvando milhões de pessoas. Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia. Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”. É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ – Qual o resultado disso?
Shinyashiki – Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?
Shinyashiki
– O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ – Há um script estabelecido?
Shinyashiki – Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um presidente de multinacional no programa O aprendiz? “Qual é seu defeito?” Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: “Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar.” É exatamente o que o chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: “Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir.” Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ – Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?
Shinyashiki – Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.


ISTOÉ– Está sobrando auto-estima?
Shinyashiki – Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ – Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?
Shinyashiki – Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: “Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham.” Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ – O conceito muda quando a expectativa não se comprova?
Shinyashiki
– Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ – É comum colocar a culpa nos outros?
Shinyashiki – Sim. Há uma tendência a reclamar, dar desculpas e acusar alguém. Eu vejo as pessoas escondendo suas humanidades. Todas as empresas definem uma meta de crescimento no começo do ano. O presidente estabelece que a metaé crescer 15%, mas, se perguntar a ele em que está baseada essa expectativa, ele não vai saber responder. Ele estabelece um valor aleatoriamente, os diretores fingem que é factível e os vendedores já partem do princípio de que a meta não será cumprida e passam a buscar explicações para, no final do ano, justificar. A maioria das metas estabelecidas no Brasil não leva em conta a evolução do setor. É uma chutação total.

ISTOÉ – Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?
Shinyashiki – Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: “Quem decidiu publicar esse livro?” Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?
Shinyashiki – O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas. A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ – Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?
Shinyashiki
– A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: “Você tem de estar feliz todos os dias.” A terceira é: “Você tem que comprar tudo o que puder.” O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: “Você tem de fazer as coisas do jeito certo.” Jeito certo não existe. Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você precisa ser feliz tomando sorvete, levando os filhos para brincar.

ISTOÉ – O Senhor visita mestres na Índia com freqüência. Há alguma parábola que o aprendeu com eles que o ajude a agir?
Shinyashiki
– Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em umhospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: “Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei à vida inteira, agora eu quero ser feliz.” Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na horada morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis. Uma história que aprendi na Índia me ensinou muito. O sujeito fugia de um urso e caiu em um barranco. Conseguiu se pendurar em algumas raízes. O urso tentava pegá-lo. Embaixo, onças pulavam para agarrar seu pé. No maior sufoco, o sujeito olha parao lado e vê um arbusto com um morango. Ele pega o morango, admira sua belezae o saboreia. Cada vez mais nós temos ursos e onças à nossa volta. Mas é preciso comer os morangos.

Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/1879/1879_vermelhas_01.htm

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

...Que notícia hein?!

Estava lendo as notícias ai do lado(>>>) e tinha uma que falava do Sarney. Até ai tudo bem, porque o cara está na onda da mídia, graças às "suas boas ações". Mas, lembrei-me de uma notícia que li hoje na revista Veja, que falava sobre como o jornal O Estado do Maranhão está preocupado com a imagem que a mídia paulista está fazendo do Sarney. Para piorar... lembrei do Collor falando no senado(com letra minúscula porque mais parece um circo) que não admitia ser ofendido por outro senador.
Olha, eu vou falar um negócio: quem não aceita ser ofendida Sou Eu. O mala rouba o país todo, aí os tontos (pessoas com enfraquecimento das faculdades intelectuais -para não usar uma palavra mais agressiva) lá de Alagoas elegem o banana novamente e daqui a pouco, não duvido nada...Oh ele lá na presidência de novo. Isso sim é uma ofensa!
Mas não são apenas os alagoanos que fazem essas burradas. A gente tem o Maluf (aquele que rouba mas faz), o ACM e família, César Maia, Garotinho e etc. Provando que a proeza alagoana é uma febre nacional.
Na verdade eu "fico de cara" com nossas reclamações sobre políticos. Eles são cidadãos como nós, são eleitos por nós e, já diria qualquer filósofo ai que eu não sei o nome, refletem nossas ações. Todos sabemos que os políticos de um país reflete a moral daquele país.
Então eu acho melhor a gente cair na real porque nossa moral anda lá embaixo! E, põe embaixo nisso!
E ai vocês pensam: o que tem a ver o Sarney com o Collor??? Nesse caso deixo para que cada um faça a ligação.
Beijos,
Ariana.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Informativo "Práticas Terapêuticas


Terça-feira, 4 de agosto de 2009
Informativo "Práticas Terapęuticas"

Dando seqüência à deliberação do 37º Encontro Nacional, encaminhamos providncias determinadas pelo ofício circular CFESS 129 e 146/2009, apresentando a minuta de Resolução sobre a vedação da utilização de "Práticas Terapêuticas ou Clínicas" associadas ao título e/ou ao exercício profissional do assistente social, com as novas propostas incorporadas.


*****Poderão ser enviadas observações para exclusão, alteração ou inclusão de texto, devendo indicar a qual artigo, considerando, parágrafo, etc, da minuta está se referindo. Todas deverão apresentar os fundamentos de tal sugestão. Manifestações contrárias e a favor também serão reunidas para o envio ao Cfess.
*****Para o devido registro, deverão ser informados os dados do grupo.


Serão reunidas as observações sobre a minuta, que deverão ser encaminhadas de modo objetivo para favorecer a organização das mesmas que serão encaminhadas ao CFESS. Neste sentido, serão consideradas as contribuições enviadas ao CRESS/SP até o dia 07 de agosto de 2009.

Fonte: http://www.cress-sp.org.br/LINK_SITE/praticasterapeuticas.html
Visite o site e obtenha as informações necessárias www.cress-sp.org.br

Sorrisos 1.000 pra vcs...