O Serviço Social é política pública, e o Assistente Social seu efetivador!

É uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da “questão social”, isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho .Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assistência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais.



O Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.Está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar, e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.



quarta-feira, 24 de junho de 2009

Direitos humanos, um direito de todos




“Há um tempo para nós.
Em algum dia,um tempo para nós.
Tempo juntos com tempo de sobra,
Tempo pra aprender,tempo pra cuidar
Em algum lugar,
Em algum dia,
Nós vamos achar um novo jeito de viver”[1]

No próximo dia 28 de junho, comemora-se 40 anos da luta de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros. A data ficou marcada após os conflitos conhecidos como Batalha de Stonewall (1969), em que, pela primeira vez, homossexuais que sofriam abusos constantes da polícia partiram para o enfrentamento e conquistaram na marra respeito e direitos básicos, como o de circular sem serem agredidos(as) pelo bairro de Greenwich Village (Nova Iorque), onde está localizado o bar Stonewall, que deu nome ao confronto,
Acontecimento que fez história seguindo a trilha da coragem e ousadia das lutas todas que durante os anos 60 e começo dos 70 do século XX nos deram a possibilidade de estarmos aqui, a possibilidade de um outro tempo e um outro lugar.
Passados 40 anos, temos a certeza que muito foi conquistado, mas infelizmente não o suficiente para mudar de modo radical a face do mundo, não o suficiente para vivermos de um outro jeito.
Todos os dias em qualquer cidade do Brasil algum tipo de violência, preconceito, descriminação atinge as pessoas que no exercício de sua liberdade, no fluxo do seu desejo, na autonomia do seu corpo ousam contrariar a heteronormatividade dominante. E ainda que se por acaso nada acontecesse em um dia, há uma conivente legitimidade para que a força bruta - em atos, palavras ou silêncios - seja o modo com que a sociedade desfaz cotidianamente a luta por igualdade, justiça e cidadania.
Desfaz a história, desfaz a memória, apaga e não permite registros, como se nada houvesse, como se assim a liberdade, o desejo, o corpo, a autonomia pudessem sumir.
Os dados sobre violência contra lésbicas, gays, bissexuais travestis e transgêneros quando existem são falhos, desatualizados, pouco divulgados, na medida em que para mostrar em frios números o que a realidade produz de dor é preciso que as instituições públicas sejam capazes de reconhecer e registrar a violência, o preconceito, a descriminação. E até o momento, tais instituições se recusam a tal gesto.
Porém, se o cotidiano é feito de tentativas de apagamento dos sujeitos, do esquecimento do que realmente que dizer direito, é feito também de resistências, insistências, lutas.
Neste sentido, são fundamentais as iniciativas como a do PL C 122/2006 que propõe a mudança de tipificação de crimes cometidos contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros, de modo a serem nomeados e solucionados como o que efetivamente são, crimes movidos por preconceito, intolerância, ódio por quem tem a coragem de viver de acordo consigo mesma/o, a ousadia de querer ser feliz à revelia e apesar da dominação.
Por ser assim, essa é uma luta que diz respeito a todas/os que acreditam em melhores e outras possibilidades. De todas/os que sabem que não há cidadania, dignidade, igualdade e liberdade enquanto uma pessoa morrer em uma manifestação em que havia 3, 5 milhões em uma avenida para celebrar o orgulho LGBT, como ocorreu na Parada de São Paulo no dia 14 de junho. De todas/os que sentiram na pele os estilhaços da bomba jogada nas imediações da avenida no mesmo dia, no mesmo evento e que atingiu 20 pessoas.
Em 40 anos, de Nova Iorque a São Paulo, de Maracanaú a Recife, de Brasília a Nova Iguaçu, de Marabá a Porto Alegre, em cada lugar e em todo lugar a história se faz no dia a dia, nos gestos solitários e nas multidões, nos protestos e nos afetos, na resistência à brutalidade e na teimosia do prazer e da alegria. No orgulho e coragem, no lutar acreditando que há sim um novo jeito de viver. Essa é a nossa luta, a nossa crença, o que nos movimenta.
Dedicamos estas palavras a todas/os que fizeram e fazem das suas vidas plataformas de saltos vitais.

[1] Tradução da música Somewhere de.Leornard Bernstein e Stephen Sondhein e que foi gravada por Renato Russo no disco The Stonewall Celebration Concert em 1994.
Fonte:
www.homoafetvidade.com.br