O Serviço Social é política pública, e o Assistente Social seu efetivador!

É uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da “questão social”, isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho .Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assistência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais.



O Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.Está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar, e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.



segunda-feira, 5 de abril de 2010

Atritos...vamos refletir?

ATRITOS
Por Roberto Crema

Ninguém muda ninguém;
ninguém muda sozinho;
nós mudamos nos encontros.

Simples, mas profundo, preciso.
É nos relacionamentos que nos transformamos.
Somos transformados a partir dos encontros,
Desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados
pela idéia e sentimento do outro.
Você já viu a diferença que há entre as pedras
que estão na nascente de um rio,
e as pedras que estão em sua foz?

As pedras na nascente são toscas,
pontiagudas, cheias de arestas.
À medida que elas vão sendo carregadas
pelo rio sofrendo a ação da água
e se atritando com as outras pedras,
ao longo de muitos anos,
elas vão sendo polidas, desbastadas.

Assim também agem nossos contatos humanos.
Sem eles, a vida seria monótona, árida.
A observação mais importante é constatar
que não existem sentimentos, bons ou ruins,
sem a existência do outro, sem o seu contato.
Passar pela vida sem se permitir
um relacionamento próximo com o outro,
é não crescer, não evoluir, não se transformar.

É começar e terminar a existência
com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.
Quando olho para trás,
vejo que hoje carrego em meu ser
várias marcas de pessoas
extremamente importantes.

Pessoas que, no contato com elas,
me permitiram ir dando forma ao que sou,
eliminando arestas,
transformando-me em alguém melhor,
mais suave, mais harmônico, mais integrado.
Outras, sem dúvidas,
com suas ações e palavras
me criaram novas arestas,
que precisaram ser desbastadas
Faz parte...

Reveses momentâneos
servem para o crescimento.
A isso chamamos experiência.
Penso que existe algo mais profundo,
ainda nessa análise.
Começamos a jornada da vida
como grandes pedras,
cheia de excessos.

Os seres de grande valor •percebem que ao final da vida,
foram perdendo todos os excessos
que formavam suas arestas,
se aproximando cada vez mais de sua essência,
e ficando cada vez menores, menores, menores...

Quando finalmente aceitamos
que somos pequenos, ínfimos,
dada à compreensão da existência
e importância do outro,
e principalmente da grandeza de Deus,
é que finalmente nos tornamos grandes em valor.

Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado?
Sabemos quanto se tira
de excesso para chegar ao seu âmago.

É lá que está o verdadeiro valor...
Pois, Deus fez a cada um de nós
com um âmago bem forte
e muito parecido com o diamante bruto,
constituído de muitos elementos,
mas essencialmente de amor.
Deus deu a cada um de nós essa capacidade,
a de amar...
Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago,
temos que nos permitir,
através dos relacionamentos,
ir desbastando todos os excessos
que nos impedem de usá-lo,
de fazê-lo brilhar

Por muito tempo em minha vida acreditei
que amar significava evitar sentimentos ruins.
Não entendia que ferir e ser ferido,
ter e provocar raiva,
ignorar e ser ignorado
faz parte da construção do aprendizado do amor.

Não compreendia que se aprende a amar
sentindo todos esses sentimentos contraditórios e...
os superando.
Ora, esses sentimentos simplesmente
não ocorrem se não houver envolvimento...

E envolvimento gera atrito.
Minha palavra final: ATRITE-SE!

Não existe outra forma de descobrir o amor.
E sem ele a vida não tem significado.

Roberto Crema - Psicólogo e Antropólogo do Colégio Internacional dos Terapeutas - CIT, analista transacional didata, criador do enfoque da síntese transacional, consultor em abordagem transdisciplinar holística e ecologia do Ser. Foi o coordenador geral do I Congresso Holístico Internacional (1987) e implementador da Formação Holística de Base, no Brasil (1989). Membro honorário da Associação Luso Brasileira de Transpessoal - ALUBRAT, Fellowship da Findhorn Foundation - Escócia, coordenador do CIT-Brasil, Reitor da Rede Unipaz. Autor de diversos livros.

Abraços,
Josiane Gomes.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Brincar...é preciso aprender!


Nos últimos meses tenho olhado com muita curiosidade a área educacional. Até passei a assinar periódicos do segmento a fim de ampliar meus conhecimentos.

Em uma de minhas leituras, deparei-me com uma entrevista bem interessante com Gilles Brougère, um dos grandes especialistas em brinquedos e jogos na atualidade. Filósofo francês - pesquisa a cultura lúdica da sociedade na qual cada criança esta inserida. Seus estudos revelam que é o contexto social que determina as brincadeiras escolhidas pelas crianças e o modo como essas brincadeiras serão realizadas.

Gilles Brougère indica duas características básicas da brincadeira. A primeira refere-se ao faz de conta, o qual ele chama de segundo grau. Toda brincadeira começa com uma referência de algo que realmente existe. Essa realidade passa por um processo de transformação, ganhando outro significado. A criança pensa: “não estamos de mau, mas fazendo de conta que brigamos”. A segunda característica é a decisão. Como tudo ocorre num universo criado pelas crianças, e todas estão de acordo com sua existência, no momento em que entram em desacordo ele para de existir.

A combinação dessas duas características forma o núcleo essencial da brincadeira. E a essas duas, pode-se acrescentar outros três elementos, que são:
- o conhecimento das regras e outras formas de organização do jogo;
- a ação, pois o brincar é uma ação sem conseqüências ou com conseqüências mínimas (afinal é de brincadeira);
- e a incerteza, uma vez que o brincar oferece possibilidades variadas (não se sabe quem ganhará o jogo).

O filósofo conceitua a relação da brincadeira com a cultura lúdica. Cultura lúdica são todos os elementos da vida e todos os recursos à disposição das crianças que permitem construir o segundo grau. Quando a criança atua no segundo grau, mantém relação com a realidade (primeiro grau), usando aspecto da vida cotidiana para estabelecer uma relação entre a brincadeira e a cultura local num sentido amplo. Depois disso, as crianças desenvolvem essa cultura lúdica que inclui os jeitos de fazer, as regras e os hábitos para a construção da brincadeira.

Como toda cultura se refere ao que é compartilhado, isso permite que uma criança brinque com outras.Porém é preciso entendermos que cada criança, tem um jeito de lidar com as brincadeiras, em função de sua história de vida. Existe uma individualização dessa cultura também, já que nem todos compartilham todos os elementos da cultura lúdica de uma geração. A experiência lúdica não é mesma para todas as crianças, sem contar que os jogos se adaptam ao contexto, os hábitos, aos interesses e ao material disponível.

Brougère esclarece que a brincadeira não é inata, é sempre um resultado de uma construção social, algo que se aprende e se estrutura desde muito cedo, muitas vezes entre mãe e filho. É provável que a criança aprenda “o de brincadeira” brincando. As crianças descobrem muito rápido que no esconde-esconde o desaparecimento não é real. Quando ela consegue fazer o mesmo, aprendeu a brincar. Muitas crianças têm dificuldade para estar no universo do faz de conta, não aprendem isso. Se não aprendem a dizer “é de brincadeira, é faz de conta”, não conseguem jogar. Daí falamos “ela não sabe brincar”.

Depois que passam pelo processo básico de aprenderem a brincar, aprendem os mecanismos, os ritos e as tradições de um espaço para jogar, e em seguida vêm as aprendizagens secundárias: aprender a jogar futebol, videogames entre outros. Porém Brougère ressalta que a criança não precisa entender o brincar, o importante é ela entrar nesse universo de faz de conta e sentir o prazer que ele proporciona. As crianças brincam antes mesmo de entender o que estão fazendo.

No começo, tudo se dá no nível da experiência. Quanto mais a criança adquire vivências, mais é capaz de fazer novas atividades. No jogo elas procuram o equilíbrio para evitar o tédio (se fica chato, não brincam mais) e a ansiedade (se for muito difícil, perdem o interesse). O jogo envolve a busca de equilíbrio. É uma atividade em que há um desafio acessível. Em função da experiência e também das competências, cada criança é capaz de dominar certas situações e, assim, administrar a distancia entre o tédio e ansiedade. A estes aspectos soma-se a dimensão social – os momentos de encontro com as outras crianças ou, às vezes adultos. Um outro elemento que observamos por meio da brincadeira é a criança revelando quem realmente é. O jogo torna-se um indicador, mostrando para si mesmo e aos outros que aquela criança já cresceu.

Finalizando Brougère nos incentiva a enriquecer o brincar dos pequenos através da observação (para enriquecer o conhecimento), da reflexão sobre a qualidade dos espaços destinados às brincadeiras.

Para brincar é preciso aprender. Então vamos ensinar...

Abraços,

Josiane Gomes.

BROUGÈRE, Gilles. Ninguém nasce sabendo brincar. É preciso aprender. Nova Escola: São Paulo, ano XXV, n° 230, p. 32-34-35, mar/2010. Entrevista concedida a Thais Gurgel.