O Serviço Social é política pública, e o Assistente Social seu efetivador!

É uma profissão de caráter sócio-político, crítico e interventivo, que se utiliza de instrumental científico multidisciplinar das Ciências Humanas e Sociais para análise e intervenção nas diversas refrações da “questão social”, isto é, no conjunto de desigualdades que se originam do antagonismo entre a socialização da produção e a apropriação privada dos frutos do trabalho .Inserido nas mais diversas áreas (saúde, habitação, lazer, assistência, justiça, previdência, educação, etc) com papel de planejar, gerenciar, administrar, executar e assessorar políticas, programas e serviços sociais.



O Assistente Social efetiva sua intervenção nas relações entre os homens no cotidiano da vida social, por meio de uma ação global de cunho sócio-educativo ou socializadora e de prestação de serviços.Está capacitado, sob o ponto de vista teórico, político e técnico, a investigar, formular, gerir, executar, avaliar, e monitorar políticas sociais, programas e projetos nas áreas de saúde, educação, assistência e previdência social, empresas, habitação, etc. Realiza consultorias, assessorias, capacitação, treinamento e gerenciamento de recursos; favorece o acesso da população usuária aos direitos sociais; e trabalha em instituições públicas, privadas, em organizações não governamentais e junto aos movimentos populares.



quinta-feira, 1 de abril de 2010

Brincar...é preciso aprender!


Nos últimos meses tenho olhado com muita curiosidade a área educacional. Até passei a assinar periódicos do segmento a fim de ampliar meus conhecimentos.

Em uma de minhas leituras, deparei-me com uma entrevista bem interessante com Gilles Brougère, um dos grandes especialistas em brinquedos e jogos na atualidade. Filósofo francês - pesquisa a cultura lúdica da sociedade na qual cada criança esta inserida. Seus estudos revelam que é o contexto social que determina as brincadeiras escolhidas pelas crianças e o modo como essas brincadeiras serão realizadas.

Gilles Brougère indica duas características básicas da brincadeira. A primeira refere-se ao faz de conta, o qual ele chama de segundo grau. Toda brincadeira começa com uma referência de algo que realmente existe. Essa realidade passa por um processo de transformação, ganhando outro significado. A criança pensa: “não estamos de mau, mas fazendo de conta que brigamos”. A segunda característica é a decisão. Como tudo ocorre num universo criado pelas crianças, e todas estão de acordo com sua existência, no momento em que entram em desacordo ele para de existir.

A combinação dessas duas características forma o núcleo essencial da brincadeira. E a essas duas, pode-se acrescentar outros três elementos, que são:
- o conhecimento das regras e outras formas de organização do jogo;
- a ação, pois o brincar é uma ação sem conseqüências ou com conseqüências mínimas (afinal é de brincadeira);
- e a incerteza, uma vez que o brincar oferece possibilidades variadas (não se sabe quem ganhará o jogo).

O filósofo conceitua a relação da brincadeira com a cultura lúdica. Cultura lúdica são todos os elementos da vida e todos os recursos à disposição das crianças que permitem construir o segundo grau. Quando a criança atua no segundo grau, mantém relação com a realidade (primeiro grau), usando aspecto da vida cotidiana para estabelecer uma relação entre a brincadeira e a cultura local num sentido amplo. Depois disso, as crianças desenvolvem essa cultura lúdica que inclui os jeitos de fazer, as regras e os hábitos para a construção da brincadeira.

Como toda cultura se refere ao que é compartilhado, isso permite que uma criança brinque com outras.Porém é preciso entendermos que cada criança, tem um jeito de lidar com as brincadeiras, em função de sua história de vida. Existe uma individualização dessa cultura também, já que nem todos compartilham todos os elementos da cultura lúdica de uma geração. A experiência lúdica não é mesma para todas as crianças, sem contar que os jogos se adaptam ao contexto, os hábitos, aos interesses e ao material disponível.

Brougère esclarece que a brincadeira não é inata, é sempre um resultado de uma construção social, algo que se aprende e se estrutura desde muito cedo, muitas vezes entre mãe e filho. É provável que a criança aprenda “o de brincadeira” brincando. As crianças descobrem muito rápido que no esconde-esconde o desaparecimento não é real. Quando ela consegue fazer o mesmo, aprendeu a brincar. Muitas crianças têm dificuldade para estar no universo do faz de conta, não aprendem isso. Se não aprendem a dizer “é de brincadeira, é faz de conta”, não conseguem jogar. Daí falamos “ela não sabe brincar”.

Depois que passam pelo processo básico de aprenderem a brincar, aprendem os mecanismos, os ritos e as tradições de um espaço para jogar, e em seguida vêm as aprendizagens secundárias: aprender a jogar futebol, videogames entre outros. Porém Brougère ressalta que a criança não precisa entender o brincar, o importante é ela entrar nesse universo de faz de conta e sentir o prazer que ele proporciona. As crianças brincam antes mesmo de entender o que estão fazendo.

No começo, tudo se dá no nível da experiência. Quanto mais a criança adquire vivências, mais é capaz de fazer novas atividades. No jogo elas procuram o equilíbrio para evitar o tédio (se fica chato, não brincam mais) e a ansiedade (se for muito difícil, perdem o interesse). O jogo envolve a busca de equilíbrio. É uma atividade em que há um desafio acessível. Em função da experiência e também das competências, cada criança é capaz de dominar certas situações e, assim, administrar a distancia entre o tédio e ansiedade. A estes aspectos soma-se a dimensão social – os momentos de encontro com as outras crianças ou, às vezes adultos. Um outro elemento que observamos por meio da brincadeira é a criança revelando quem realmente é. O jogo torna-se um indicador, mostrando para si mesmo e aos outros que aquela criança já cresceu.

Finalizando Brougère nos incentiva a enriquecer o brincar dos pequenos através da observação (para enriquecer o conhecimento), da reflexão sobre a qualidade dos espaços destinados às brincadeiras.

Para brincar é preciso aprender. Então vamos ensinar...

Abraços,

Josiane Gomes.

BROUGÈRE, Gilles. Ninguém nasce sabendo brincar. É preciso aprender. Nova Escola: São Paulo, ano XXV, n° 230, p. 32-34-35, mar/2010. Entrevista concedida a Thais Gurgel.